Gotas de beleza

"A pintura nunca é prosa. É poesia que se escreve com versos de rima plástica". (Pablo Picasso)

terça-feira, 23 de junho de 2015

O grafite realista de Sergio Odeith

Odeith nasceu em 1976 Damaia, Portugal. Seu primeiro contato com o grafite foi na década de 1990, quando começou a esboçar suas experiências em paredes e trilhos de trem de sua cidade. Logo, a paixão que tinha desde criança pelo desenho ganha um propósito e tempos depois, começou a ser convidado a pintar em grandes escalas pelas sua cidade e cidade vizinha.

Desde o início, seu interesse eram as pinturas em perspectiva e sombreadas, o que mais tarde chamou de “3d sombre”, onde suas composições se destacaram por seu realismo e técnica. Em 2005 foi reconhecido internacionalmente por suas incursões pioneiras no campo da arte anamórfica, destacando-se por suas composições criadas em perspectiva e pintadas de forma diferente nas superfícies, como cantos e da parede para o chão, criando um efeito de ilusão de ótica. 

Eu não sei vocês, mas eu olho, olho... e custo a acreditar que isso é uma pintura. É perfeito demais!

Alguns da série de grafites anamórficos do artista:













Quer ver mais grafites do artista?
http://www.odeith.com/

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Auto-retrato de Caravaggio revelado pela tecnologia

Baco, Caravaggio, óleo, 95 cm x 85 cm
Uffizi, Florença

Em 2009, pesquisadores descobriram, depois de anos escondido sob camadas e mais camadas de tinta e poeira, um pequeno auto-retrato de Caravaggio. A pequena imagem, foi descoberta em uma garrafa de vinho numa de suas obras mais famosas, Baco de 1597.
Ela mostra um homem, com uns 25 anos de idade, cabelo escuro e encaracolado refletido dentro da garrafa. O homem parece estar segurando um pincel e trabalhando em um cavalete. O nariz da pequena figura, os olhos e o colar em volta do pescoço são visíveis.
A imagem foi vista pela primeira vez em 1922, quando a tela foi restaurada por um italiano que descreveu o rosto como tendo "grandes olhos, um nariz largo e arrebitado e lábios ligeiramente abertos".
Ao longo dos anos, a pintura foi submetida a várias restaurações "pobres", inclusive foram repintadas todas as manchas escuras, até que, tornou-se impossível visualizar o detalhe. os especialistas foram capazes de "ver" através da pintura com uma técnica chamada refletografia, que usa a tecnologia de infravermelho para penetrar camadas de tinta de diferentes espessuras, tornando as camadas superiores transparentes.



Detalhe da obra


Fonte: Nick Squires, in http://www.telegraph.co.uk/culture/art/art-news/6468623/Tiny-Caravaggio-self-portrait-revealed-by-technology.html


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Frida Kahlo, fragmentos

Neste post, resolvi apenas compilar alguns trechos do diário de Frida. O que ela acha dos EUA, a quem ela chamava de "gringolândia", seu pensamento a cerca de Diego e das tragédias de sua vida, além de um poema que encontrei no blog de Hérlon Fernandes. Como admiradora da vida e da obra de Frida Kahlo, sempre que puder vou postar algo sobre ela.

A árvore da esperança, 1946
Poema a Frida Kahlo (Árvore da Esperança)

O azul do meu sonho enrubesce,
Sangra diante da minha dor.
O meu amor está tão perto,
O meu amor está tão distante...
A primavera já não me oferece todas as cores
E os espinhos das rosas massacram minh'alma.
Nunca esqueci o ser amado,
Mas todo esse sentimento devotado transbordou,
Sangrou no rio negro de minhas angústias.
Estou gelada, deram-me por morta...
Fito-me diante do espelho:
O que é o sonho?
quisera ser a outra Frida,
A imagem menos dolorida,
A cicatriz no lugar da ferida.

O que é o sonho?
O meu azul enrubesce,
Sangra o meu amor despetalado.
(O meu amor levou a primavera consigo).

Hérlon Fernandes Gomes, in Lágrimas - Poemas Mornos (2002-2003)


"Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor".


"E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo".




"O México, como sempre, está desorganizado e confuso. A única coisa que lhe resta é a grande beleza da terra e dos índios. Todos os dias, parte feia dos Estados Unidos rouba um pedaço; é uma lástima, mas as pessoas têm que comer e é inevitável que os peixes grandes devorem os pequenos".  (Frida não gostava dos EUA, a quem chama sempre de Gringolândia. Acha os 'gringos', como diz, 'arrogantes de nascença')



"Eu vou mal e irei pior ainda mas aprendo pouco a pouco a ser só, 
e isso já é alguma coisa, uma vantagem, um pequeno triunfo".


"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade".

"Não estou doente. Estou partida. Mas me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar".



"Eu pensava que eu era a pessoa mais estranha do mundo. Mas então eu pensei, existem tantas pessoas no mundo, deve existir alguém exatamente como eu, que se sente esquisita e imperfeita da mesma forma que eu. Eu a imaginava, e imaginava que ela deveria estar lá fora pensando em mim também. bem, eu espero que se você estiver aí, e leia isso, saiba que sim, é verdade, eu estou aqui, e sou tão estranha quanto você."

Em espanhol:

"No desses que le dé sed al árbol que tanto te ama, que atesoró tu semilla, que cristalizó tu vida a las seis de la mañana. no dejes que le dé sed al árbol del que eres sol."

"A veces prefiero hablar con obreros y albañiles que con esa gente estúpida que se have llamar gente culta".



"Te quiero... gracias porque vives, porque ayer me dejaste tocar tu luz más íntima y porque dijisti con tua voz y tus ojos lo que yo esperaba toda mi vida".


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As pinturas hiper-realistas de Matt Story


Artista de Los Angeles Matt Story tem o talento único de criar obras de arte hiper-realistas, que captura um momento no tempo e olhar tão detalhada como fotografias. Tendo trabalhado como ilustrador técnico e artista gráfico no cinema e na televisão, Story agora se concentra em suas pinturas a óleo, utilizando as técnicas tradicionais sobre tela para produzir obras deslumbrantes. 
 “Eu tento pintar a vida, de forma a capturar os cristais de memória intocada que todos nós compartilhamos, sem nunca descrever um ao outro. Cada composição usa o gesto da figura para evocar uma forma platônica, uma noção arquetípica, a essência destilada, aquela que dura para além do momento”. (Matt Story)
Story estudou arte desde muito cedo e demonstrou uma habilidade única para o hiper-realismo. Para ele, “a câmera vê de forma imparcial, porque há muito mais lá, capturado apenas pelo filtro humano da memória".

Possui um estúdio a mais de 20 anos em Los Angeles e desde meados de 2013 vive com sua esposa em Ilha das Palmas, Charleston, onde ele pinta, muitas vezes, doze ou mais horas por dia e sete dias por semana. Sua pintura a óleo sobre tela e painel se assemelha aos métodos clássicos, usado há séculos pelos mestres como Ticiano e Caravaggio.

Série água:

"Blue note blond", óleo sobre painel, 56 x 42

"White top jostie arms wide", óleo sobre tela, 60 x 40

"White reach", óleo sobre painel, 30 x 20

"Red repose again", óleo sobre painel, 42 x 28
"Blue drive by", óleo sobre painel, 36 x 48
"Pacific reflection floating", óleo sobre painel, 54 x 36

"White top hair flip", óleo sobre painel, 32 x 48

"Low tide", óleo sobre painel, 54 x 36

Outros temas:

"Ghosts of Saint Catherine"s"

"Ghosts of Saint Mark's", Óleo sobre painel


"Grey trees on bank"

"Foggy respite with tree"

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Ilustração da música "Vambora" de Adriana Calcanhoto


Trabalho proposto pelo professor da disciplina de Arte, Cultura e Sociedade da Pós-Graduação em fotografia. Foram sorteadas 10 músicas, de diferentes gêneros, entre a turma e o trabalho consistia em fazer 4 fotos ilustrando a canção sorteada. Eu fui contemplada com "Vambora" de Adriana Calcanhoto.

Vambora é uma música que trata o amor de uma forma diferente, pois fala sobre solidão dos que amam. Nela, a cantora faz alusão a duas obras literárias, "Na cinza das horas", primeiro livro de poesias do escritor Manuel Bandeira, lançado em 1917, e "Dentro da na noite veloz" de Ferreira Gullar lançado em 1998. Livros que a cantora tem em sua estante.
A canção foi lançada em 1998 e faz parte do CD Marítimo, segundo a cantora,  até hoje é uma música muito pedida em seus shows. 

A letra:

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida

Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
"Dentro da noite veloz"

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque  meu coração dispara
Quado tem o seu cheiro
Dentro de um livro
"Nas cinzas das horas"


Minha visão da música:

Foto: Eliete Menezes
Foto: Eliete Menezes
Foto: Eliete Menezes
Foto: Eliete Menezes





segunda-feira, 28 de julho de 2014




Congresso Internacional do Medo

Carlos Drummond de Andrade
Foto: Eliete Menezes

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Inhotim, um museu a céu aberto

"Penetrável" de Hélio Oiticica
Difícil arrumar palavras para descrever esse lugar, dizer que ele é lindo é cair no senso comum. Inhotim deve ser sentido através de sua rica natureza, dos sons locais e das exposições espalhadas por todo o parque. 
Idealizado na década de 1980 pelo empresário Bernardo Paz, o parque foi fundado oficialmente em 2002 e consolidado em 2005, com a introdução de coleções botânicas de diferentes partes do Brasil e foco nas espécies nativas. Inhotim possui a maior coleção de palmeiras do mundo.
Em meio a toda essa exuberante paisagem natural, cerca de 500 obras de mais de 100 artistas, compõem o seu acervo com foco na arte contemporânea. Espalhados por toda a extensão do parque estão as obras de Helio Oiticica, Tunga, Olafur Eliassom, Dan Grahan, Edgard de Souza, dentre outros e diversas galerias construídas especialmente para abrigar trabalhos permanentes de um determinado artista, como as de Lygia Pape, Adriana Varejão, Cildo Meireles e galeria True Rouge que abriga a obra do artista pernambucano, Tunga.
Inhotim é parada obrigatória para quem gosta do contato com a natureza e para quem aprecia arte, e para quem não aprecia também, pois a combinação natureza/arte torna o passeio tão agradável que você nem se dá conta de que está em um museu. Mas uma dica: reservem pelo menos uns 2 dias para conhecer o local, fiquei lá o dia inteiro e não vi nem a metade.

Helio Oiticica

Dan Grahan

Inmensa, Cildo Meireles

Vista de um dos lagos

Amilcar de Castro

Edgard de Souza

Galeria Lygia Pape, dentro a obra "Téia"

Lago em frente a Galeria "True Rouge"





terça-feira, 20 de agosto de 2013

História da Arte por Marco Marilungo

Marco Marilungo nasceu em 1971 em Porto San Giorgio, Itália.  Começou sua carreira como cartunista, alcançando resultados bem significativos e entre 1992 e 1993 teve várias caricaturas suas publicadas.  Seu trabalho mostra uma forte inclinação para a ironia como forma de expressão com o domínio dos meios técnicos, é formado em Belas artes e concluiu o curso com louvor. Participou de várias exposições coletivas e individuais e seus trabalhos são publicados em vários jornais e informativos italianos. Foi um dos pioneiros da web design, quando a internet ainda era um privilégio de poucos lá pelos idos 1996, e isso fez com que ele fizesse a transição das técnicas tradicionais para a digital.

Sua formação em Belas Artes rendeu alguns quadrinhos bem criativos contando a História da Arte de uma forma bem divertida. E são alguns desses quadrinhos que resolvi compartilhar aqui com vocês.

Série História da Arte:






Produção e o mercado de Arte:


Visite o site do artista: http://www.marilungo.com/index.html



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

História da Arte

Estava eu pesquisando imagens sobre História da Arte quando me deparei com essa história em quadrinhos do Insekto. Muito original, me fez lembrar a música "Bienal" cantada por Zeca Baleiro e Zé Ramalho.


Bienal   (Zeca Baleiro e Zé Ramalho)

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta
Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta
Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"
Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno
Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana
Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana
Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina
Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria